Você sabe o que é competência intercultural?
- Camila Andrade
- há 7 dias
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Atualizado: há 17 horas
Segundo os autores Paul Christopher Earley e Soon Ang, no livro Cultural Intelligence: Individual Interactions Across Cultures, inteligência cultural ou competência interculturalé a capacidade de adaptação eficaz em contextos culturais diferentes. Eles explicam essa competência a partir de quatro dimensões: metacognitiva, cognitiva, motivacional e comportamental e vamos olhar para cada uma delas separadamente.
A dimensão metacognitiva tem a ver com a forma como a gente pensa enquanto está vivendo uma situação intercultural. É aquele nível de consciência em que você não reage no automático, mas começa a observar o próprio pensamento.
Por exemplo: você chega em um novo país e percebe que as pessoas são mais diretas na comunicação. Em vez de pensar imediatamente “isso é falta de educação”, você abre um outro espaço interno: “será que existe outra forma de interpretar isso?”.Esse pequeno movimento de pausa muda completamente a forma como a experiência é vivida.
Já a dimensão cognitiva é o que você sabe sobre outras culturas. São as referências que ajudam a entender como diferentes sociedades funcionam no dia a dia.
Por exemplo: em alguns lugares, o cumprimento é mais formal. Em outros, mais informal. Em alguns contextos, manter contato visual é sinal de atenção; em outros, pode significar algo diferente. Esse conhecimento não elimina o estranhamento, mas ajuda a não transformar tudo em julgamento pessoal. Ele cria contexto.

A dimensão motivacional fala sobre energia e abertura. Ou seja: o quanto você realmente está disposto a entrar em contato com o novo, mesmo quando isso não é confortável no início. Isso aparece, por exemplo, quando você decide conversar em outro idioma mesmo sem se sentir totalmente seguro, ou quando se coloca em situações sociais novas sem ter todas as respostas ainda. Por fim, a dimensão comportamental é a forma como você ajusta sua comunicação e suas atitudes dependendo do contexto. Pode ser falar de forma mais direta ou mais indireta, mudar o tom de voz, ajustar a forma de se posicionar em uma conversa ou até adaptar a maneira de expressar opiniões em ambientes mais formais ou informais.
Quando a competência intercultural ainda não está desenvolvida, essas diferenças acabam sendo interpretadas como obstáculos. Situações simples podem gerar cansaço, estranhamento ou frustração. Com o tempo e o desenvolvimento dessa habilidade, a experiência não deixa de ser desafiadora, mas passa a ser mais compreensível. Existe mais espaço interno para interpretar o que acontece, mais flexibilidade para lidar com o inesperado e mais consciência sobre como se posicionar em cada contexto.



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