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As versões de si que partem para que outras possam surgir

  • Foto do escritor: Camila Andrade
    Camila Andrade
  • há 7 dias
  • 1 min de leitura

Atualizado: há 17 horas

Em algum momento da jornada morando em outro país, você percebe que a mudança não acontece apenas ao seu redor. Ela começa a acontecer dentro de você.

A forma como você se reconhecia, se comunicava e se sentia pertencente começa a mudar silenciosamente. Isso pode gerar um tipo de luto que muita gente vive sem conseguir nomear. Luto pela identidade que fazia sentido no país de origem, pela facilidade de existir sem precisar pensar tanto sobre si mesma, pelo pertencimento automático. Algumas pessoas tentam ignorar isso e seguir em frente como se fosse apenas uma adaptação prática, mas essas perdas continuam presentes, mesmo quando não são percebidas com clareza.

Construir uma nova vida também exige atravessar o fim simbólico de algumas versões suas. E talvez uma das partes delicadas desse processo seja aceitar que nem tudo consegue acompanhar a mudança da mesma forma.

Com o tempo, você para de tentar preservar exatamente quem era antes e começa a abrir espaço para novas formas de existir.

Isso não significa abandonar sua essência. Significa permitir que a experiência transforme partes suas que já não fazem sentido no novo contexto. No fim, viver em outro país também é aprender a lidar com a distância entre quem você era, quem ainda está tentando ser e quem começa a surgir no meio do caminho.





 
 
 

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